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5 formas de inflar o valuation de sua startup (E porque você não deveria fazer isso)

5 formas de inflar o valuation de sua startup (E porque você não deveria fazer isso)

Nos últimos anos, vem crescendo número de startups latino-americanas avaliadas em cifras astronômicas - aquelas que fazem parte do clube dos unicórnios, avaliadas acima de U$ 1 bilhão. Neste conteúdo você entenderá como inflar o valuation e porque você não deveria fazer isso!

O aumento do número de negócios que atingem esse patamar é sim motivo de comemoração. Demonstra amadurecimento do ecossistema e capacidade do mercado em absorver inovações de alta relevância econômica. Unicórnios também funcionam como exemplos de sucesso, que inspiram novos empreendedores a acreditar que sim, é possível construir grandes empresas inovadoras na região.

Contudo, o desejo de atingir avaliações gigantescas em suas empresas muitas vezes leva empreendedores a se utilizarem de meios pouco saudáveis para inflar seu valor. Listei nesse artigo alguns desses meios, bem como procurei explicar porque você não deveria segui-los em seu negócio.

1.Crescer a qualquer custo

Esqueça o lucro! O nome do jogo é crescimento. Queime dinheiro adquirindo clientes o mais rápido que puder. Desde que você consiga entregar uma bela curva de crescimento rapidamente, os investidores continuarão pagando as contas. E a cada etapa, o valor da sua empresa estará maior.

Embora a estratégia de financiar agressivamente o crescimento seja válida e tenha sido aplicada com sucesso por alguns negócios no melhor estilo silicon valley, há uma série de riscos associados. Sem um fluxo de caixa saudável nas unidades econômicas unitárias básicas (ou unity economics), quanto mais o negócio crescer, maior será o tamanho do prejuízo. Vai funcionar enquanto houver investidores dispostos a cobrir o rombo, acreditando que no futuro a empresa será capaz de tornar-se lucrativa. Se houver alguma crise de confiança ou indisponibilidade de capital no meio do caminho, o negócio quebra.

 Vale dizer que é assim que nascem as bolhas: a partir da crença irracional de investidores que insistem em apostar em ativos sem lastro real de valor, até que em algum momento, a bolha estoura. Recentemente o mercado deu sinais importantes de não tolerar mais a retórica do crescimento a qualquer custo, como podemos ver nos recentes IPOs da Uber e WeWork e nas reestruturações em curso em várias empresas com esse perfil investidas por fundos como o Softbank.

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2.Maquear métricas

Sempre há formas de fazer os números parecerem mais atrativos. Você pode considerar usuários cadastrados como se fossem ativos, exagerar nas projeções, minimizar a expectativa churn, considerar os melhores cenários de custo de aquisição de usuários como o padrão - e extrapolá-lo para a perpetuidade. Há inúmeras e criativas formas de fazer os números contarem uma história melhor do que a real e, assim, garantir uma avaliação melhor.

O problema é que a realidade logo se impõe e demonstra a fragilidade dos números. Dependendo do tamanho da distância entre expectativas criadas e  os resultados atingidos, a relação de confiança entre empresa e investidores pode ser abalada.

3.Negociar múltiplos agressivos em preferências de liquidação junto ao investidor

Você está fazendo de tudo na negociação para chegar naquele valuation bacanudo. Aí o investidor até aceita, mas coloca algumas contrapartidas, como um múltiplo de 7X em uma preferências de liquidação. Você sabe que sua empresa valerá muitíssimo no futuro e nem se preocupa com isso, afinal o importante é ter uma empresa muito valiosa!

Preferências de liquidação são cláusulas em acordos de investimento, que definem que o detentor da preferência terá preferência no recebimento do valor referente a sua participação em um evento de liquidez, que ocorre quando a empresa é vendida ou abre capital. Significa que o investidor receberá primeiro os valores relativos à sua participação e só então o que resta será dividido entre os demais acionistas. Até aí, nada que chame muita atenção. A coisa muda de figura quando junto com a preferência de liquidação, vem um múltiplo mínimo de retorno esperado. Esse múltiplo quer dizer por quanto o investidor espera multiplicar minimamente o valor inicialmente investido no momento do retorno. Assim, do valor da venda ou IPO, primeiro paga-se o investidor, garantindo-se a ele um retorno do múltiplo estipulado e só então o saldo é distribuído aos demais acionistas, nas proporções de suas participações. Mesmo que para isso o investidor receba valores acima do que vale sua participação na empresa. Na prática, o múltiplo cria uma diluição forçada dos demais sócios quando o valuation da saída gera um retorno abaixo do múltiplo esperado, reduzindo o valor por ação a ser recebido por todos os demais sócios.

Funciona como um "seguro retorno". Se o valuation futuro numa saída não for tão grande como esperado, o investidor terá seu múltiplo de retorno garantido (no limite de até 100% do valor captado na saída, obviamente). Em um caso extremo, é possível que em uma venda da empresa, os fundadores fiquem sem nada ou com muito pouco, para garantir o pagamento do múltiplo de preferência de liquidação do investidor. E essa cláusula é a alavanca mais comum para se barganhar um valuation maior. Se a empresa der muito certo e pagar múltiplos bem altos, acima do esperado pelo investidor, tudo certo. Mas se as coisas não forem tão bem assim, os empreendedores terão entregado muito mais participação da empresa aos investidores, na prática. Por um lado, é uma ferramenta legítima de correção na balança de expectativas entre risco e retorno, mas quando usado em excesso, pode ser extremamente prejudicial aos fundadores e investidores iniciais.

4.Consequências negativas de um valuation inflado: down round.

O que acontece quando seu valuation está inflado? Bom, ele será eventualmente corrigido numa próxima rodada, quando a empresa precisar levantar mais capital, o que é comum e esperado em startups de alto crescimento. Esse seria um dos piores cenários de captação: um down round. Ele acontece quando o valuation da empresa em uma rodada de investimento é menor que o de um momento anterior, ou seja, quando o valor da empresa cai.

Nesse cenário, os empreendedores perdem duplamente. Primeiro, porque deverão ceder ainda mais equity pela mesma quantidade de capital, na comparação com a rodada anterior. Segundo, porque um down round geralmente ativa travas de não diluição, que protegem os investidores. Basicamente, as cláusulas de não diluição, muito comuns em contratos de investimento de risco, estabelece que os demais sócios da empresa deverão compensar o investidor quando ocorrer uma perda de valor das ações, cedendo ainda mais participação acionária a este, proporcionalmente à queda do valuation da empresa. Ou seja, se o valor da empresa cair 20%, os sócios fundadores deverão transferir 20% de suas ações aos investidores anteriores de forma a compensar essa perda.

5.Investimento justo é o melhor negócio

Por todas essas razões, acredito que o melhor caminho sempre é buscar uma avaliação justa do negócio, para o bem da empresa, dos empreendedores e do próprio investidor. Inflar o valuation pode ser um tiro no pé e provocar muitas dores de cabeça no futuro, comprometendo muitas vezes a própria continuidade do negócio. 

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