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Como captar investimentos para sua startup durante a pandemia

Como captar investimentos para sua startup durante a pandemia

Muitas startups foram pegas de surpresa pela crise desencadeada pela pandemia de Covid-19. Para essas empresas de alto potencial de crescimento, o acesso a financiamento adequado é fundamental, geralmente através de investimentos de capital de risco - ou venture capital, provenientes de investidores anjos, aceleradoras, fundos de capital semente (seed capital), growth capital e private equity.

 

O ecossistema de investimentos já começa a sentir os impactos da crise, com retração no capital disponível em algumas fases e aumento no tempo para a concretização das operações. Ainda assim, diversos fundos seguem realizando novos aportes.

 

Preparei aqui um guia para empresas que estejam buscando essa modalidade de investimentos nesse momento, com dicas importantes. Buscarei deixa-lo atualizado à medida em que a crise se desenrola e novas informações se tornem disponíveis.

 

Entenda o impacto da crise no seu negócio e tenha um plano de ação

 

Efeito sobre a demanda

Analisando as principais pesquisas que tem sido publicadas sobre o impacto da crise no ecossistema, estimo que cerca de 75% das startups estejam sendo negativamente impactadas, sendo 25% estão fortemente impactadas, por atuarem em setores muito atingidos, como turismo e viagens, enquanto 50% tiveram impacto menor, mas seguem revisando seus planos e readequando sua operação à medida que a crise avança. Por outro lado, cerca de 25% delas estão sendo afetadas de forma positiva, por estarem em áreas de atuação que vem crescendo com a crise, como telemedicina ou delivery, por exemplo.

Fonte: Wayra, Startup Genome, BID (Abr-Mai, 2020)

 

Variação positiva de demanda

 

Se a crise tem feito aumentar a demanda por seu produto ou serviço, você está em um grupo privilegiado de empresas. Ainda assim, é preciso ter atenção aos unit economics (leia mais abaixo), para ter certeza que o negócio crescerá de forma saudável, especialmente durante a crise. Tenha um plano de crescimento claro, com foco direto nos pontos importantes para aumentar sua capacidade de entrega nesse momento. Ressalte aspectos positivos do momento, como um CAC provavelmente mais baixo e adeque seu plano de marketing. Vale ainda ter atenção com o pós-crise, para entender como se readequar ao novo momento.

 

 

Pequena indeterminada variação negativa na demanda

Com pequena variação de demanda, será importante avaliar constantemente a evolução da crise e seus impactos. É provável que os efeitos sobre o seu negócio aumentem no médio prazo, à medida em que a crise se prolongo, gerando um efeito em cadeia na economia. Além de um plano de contenção com ações e gatilhos claros, esteja aberto a realizar modificações no modelo de negócio, de forma a deixa-lo mais atrativo para o momento.

 

Forte variação negativa de demanda

 

Caso seu negócio tenha um forte impacto negativo, ações de contingência mais severas serão necessárias. Sem adaptações mais drásticas no modelo de negócios para que ele possa funcionar durante a crise, sua atratividade será mais baixa, especialmente para novos investidores. A palavra de ordem aqui é adaptação, ou até reinvenção. Startups com soluções voltadas para o varejo físico devem se adaptar para atuar no digital ou buscar novos nichos com demanda crescente. Há bons exemplos, como o caso da startup Numenu, que vendia de artigos de conveniência em carros de aplicativo e passou a vender os produtos em microlojas dentro de condomínios, aumentando a demanda. Considere ainda fontes alternativas de capital, além de investimento, que talvez sejam mais acessíveis nesse momento (leia mais abaixo). Por fim, busque focar o plano de investimento no valor que seu negócio poderá construir no longo prazo, quando a crise passar e busque preparar-se para estar pronto para aproveitar a onda de crescimento no pós-crise.

 

Tempo de caixa disponível: runway

 

Outro aspecto central para entender o impacto da crise para seu negócio é avaliar o runway a partir da quantidade de capital disponível em caixa. O runway indica o tempo de vida de sua startup com o caixa disponível, considerando as entradas e saídas mensais de capital. Se a startup gasta mais do que recebe por mês, há uma queima de caixa (burn rate).

 

Para calcular o runway dos próximos meses, recomendo montar uma projeção conservadora, considerando uma redução da receita nos próximos meses (de 30% a 80% ou até dependendo de quão severo tem sido o impacto da crise no seu caso). A partir desse cenário de receita menor, e considerando quanto seu negócio tem em caixa, calcule quantos meses ele consegue sobreviver. Veja algumas dicas de como agir, conforme cada caso.

 

Menos de 3 meses de runway: startups na zona crítica, precisam acionar o modo sobrevivência, com cortes de custo severos, buscando alongar o tempo de vida. Nesse caso, desligamentos de pessoal têm sido muitas vezes inevitáveis. Dê o exemplo e corte também nas retiradas dos sócios e na bonificação variável dos executivos, se houver. Considere fortemente buscar capital emergencial de programas de assistência governamental, dentre outras fontes.

 

De 3 a 6 meses de runway: busque adaptações para alongar o runway para 9 meses ou mais. Reveja investimentos em marketing e corte custos não essenciais, evitando realizar demissões, sempre que possível.

 

Mais de 12 meses de runway: sua startup tem caixa para atravessar o período crítico da crise. Ainda assim, reavalie os custos, focando no essencial e aproveite para, de forma consciente, realizar investimentos oportunísticos aproveitando o caixa, como a compra antecipadas de créditos de insumos e serviços com bons descontos.

 

Foque no essencial e corte o que o for possível. Tenha um plano de contingência com gatilhos claros

 

Reveja todos os custos fixos e variáveis, buscando focar no essencial. Dependendo de como seu negócio for afetado, deverá realizar adequações mais severas, buscando alongar o runway.

 

Priorize os cortes que fará de forma escalonada, do menos ao mais essencial e estabeleça gatilhos para definir quando fará cada corte. Assim você terá clareza de quando e como agir a cada etapa. Ex:

Mostrar aos potenciais investidores que você tem um plano e está preparado para agir conforme necessário traz segurança e credibilidade à sua gestão.

 

Tenha atenção a os Unit Economics

Unit Economics expressam a saúde financeira do seu negócio, a partir do cálculo dos custos de venda e entrega, versos a receita obtida da menor unidade de produto ou serviço oferecido, considerando apenas o custo de operação e desconsiderando investimentos para o crescimento. Todo empreendedor ou empreendedora deve ter atenção a esses números e agora, em momento de crise, ela deve ser redobrada. Enquanto algumas startups admitiam sacrificar unit economics a troco de rápido crescimento, essa estratégia de queima de caixa pode ser perigosa num cenário com maior escassez de capital. Busque garantir que a operação siga positiva e defina seus investimentos de forma responsável.

 

Esteja flexível para negociar termos e valuation

Em momentos de crise, a oferta de capital diminui e a tendência é que valuations abaixem. Em 2019, o mercado brasileiro já sentia um aumento dos valuations em relação à mediana histórica, por conta do bom momento. No cenário de crise, é se se esperar uma redução de pelo menos 20% desse número e será precisa adaptar-se à nova realidade. Uma saída possível na negociação pode ser estabelecer condições futuras para revisão do valuation, em função da obtenção de resultados positivos, por exemplo.

 

Tenha um plano para o pós-crise

Ainda há poucas certezas sobre quando e como, mas sabemos que a crise vai passar. Nesse momento, será importante estar pronto para a retomada. Pode ser hora de usar a quarentena para construir elementos do produto ou soluções que estarão prontos para surfar a onda da retomada, utilizando técnicas como o marketing de vingança, por exemplo. Ter um olhar a alguns passos à frente pode fazer a diferença e também atrair o interesse de investidores nesse momento.

 

Considere outras fontes alternativas de capital: editais de fomento, crédito emergencial, empréstimos e venture debt

Nem só de investimento vive uma startup. Há outras fontes, como editais de fomento e ajudas emergenciais do governo, crédito e diferentes modalidades de empréstimo, incluindo o venture debt (modalidade de empréstimo em que ações da empresa são oferecidas como garantia). Considere a possibilidade de pedir empréstimos ou aportes de sócios e investidores atuais antes de recorrer a novos investidores. Avalie ainda a possibilidade de realizar pré-vendas, oferecendo vouchers ou créditos com desconto de seus produtos para consumo no futuro, levantando capital com os próprios clientes.

 

Fale com investidores com teses de investimentos aderentes a seu negócio

Por fim, mas não menos importante, fale com investidores cujas teses de investimento estejam alinhadas com o seu negócio. Essas teses são formadas por elementos como estágio de desenvolvimento da startup, setor de atuação, modelo de negócio, tamanho do investimento, dentre outros aspectos. Valorize o seu tempo e o tempo dos investidores. Essa e outras dicas estão no curso completo de captação de investimentos que oferece aqui pela plataforma 10K Digital. O processo de captação é complexo e preparar-se bem para ele é fundamental. É um investimento que se paga muito facilmente, considerando o quanto de valor pode ser capturado com uma captação bem-sucedida ou negociada com termos mais vantajosos.

 

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